Meus sonhos estão passando por comoções mortais. Achei que estavam todos enterrados de forma segura, mas às vezes eles se mexem no túmulo, fazendo as cordas do meu coração emitirem pontadas. Não me refiro a nenhum sonho em particular, mas a todo o rebanho deles juntos; com suas asas de arco-íris, iridescentes, brilhantes, ascendentes, gloriosas e sublimes. Eles estão morrendo diante dos dardos e setas de aço de um mundo de tempo e dinheiro.
BARBARA FOLLETT
ALUMIAR
quarta-feira, 30 de maio de 2012
sexta-feira, 18 de maio de 2012
A vida não é nenhum poema
épico, com rasgos de heróis e coisas parecidas, mas um salão burguês, no qual se vive
inteiramente feliz com a comida e a bebida, o café e o tricô, o jogo de cartas e a música de
rádio. E quem aspira a outra coisa e traz em si o heróico e o belo, a veneração pelos grandes
poetas ou a veneração pelos santos, não passa de um louco ou de um Quixote.
"Trecho de O Lobo da Estepe"
sexta-feira, 13 de abril de 2012
Lendo o mundo
O conhecimento é experiência e experiências são impressões.
Impressões do mundo, impressões da vida;
É o que constitui o tesouro do saber.
O beijo antes ansiado e que agora não importa mais,
O desejo e as necessidades puramente circunstancias,
A inconstância nas ações e no pensamento;
A leviandade dos corações.
No final, o que vale são as cicatrizes e não as feridas.
Crescer dói mesmo;
Descobrir e conhecer também.
Cada oportunidade de lágrima é o momento de transcender,
E o desconfortável é positivo porque não dá lugar à dormência.
Talvez o que nos falte é uma leitura nas entrelinhas da vida.
Por detrás do aparente e factual há uma grande acontecimento;
Por detrás das janelas há horizontes a serem experimentados.
Insistindo e levantando-se em alguns momentos,
Desistindo e prostrando-se noutros.
Dando passos largos de animal acuado;
No final, o que vale são as cicatrizes.
SAULO OLIVEIRA
Impressões do mundo, impressões da vida;
É o que constitui o tesouro do saber.
O beijo antes ansiado e que agora não importa mais,
O desejo e as necessidades puramente circunstancias,
A inconstância nas ações e no pensamento;
A leviandade dos corações.
No final, o que vale são as cicatrizes e não as feridas.
Crescer dói mesmo;
Descobrir e conhecer também.
Cada oportunidade de lágrima é o momento de transcender,
E o desconfortável é positivo porque não dá lugar à dormência.
Talvez o que nos falte é uma leitura nas entrelinhas da vida.
Por detrás do aparente e factual há uma grande acontecimento;
Por detrás das janelas há horizontes a serem experimentados.
Insistindo e levantando-se em alguns momentos,
Desistindo e prostrando-se noutros.
Dando passos largos de animal acuado;
No final, o que vale são as cicatrizes.
SAULO OLIVEIRA
segunda-feira, 5 de março de 2012
A novidade continua vindo dar à praia pelo visto.
É lamentável a passividade programada das massas!
A minha pergunta é a seguinte: quando é que seremos finalmente alforriados pelos EUA? Quando é que deixaremos de ser meros subprodutos europeus e norte americanos?Até quando seremos consciências colonizadas, fruto de um imperialismo impiedoso e ainda hoje perpetrado vertical e disfarçadamente pela classe conservadora burguesa, a quem interessa a imobilidade.
Por que digo tudo isto? Digo tudo isto por indignação e vergonha; indignação e vergonha das quais não consigo me despojar, impregnadas em mim após ler uma sádica matéria da reacionária revista veja publicada com o título: *em boca calada, não..., que escusa e legitima o saque dos EUA à America Latina, ao direcionar à presidenta Dilma um discurso raso, tendencioso e sem embasamento histórico, depois de sua visita a Cuba.
A revista alcunhou a Presidente mais ou menos de “esquerdista patológica” por ela ter deixado claro em sua impetuosa comunicação sem seguir pauta, que a América Latina para os latino americanos custa a entrar no pobre vocabulário dos dominadores; E que também fomos e somos incondicionalmente espoliados.
Onde estão nossas riquezas naturais? Onde está a prata de Potosí na Bolívia e o metal dourado de Ouro Preto? Esses metais exaustivamente arrancados da terra à custa de muito sangue, ainda constituem o imensurável tesouro das grandes potências.**O subdesenvolvimento latino americano não é uma etapa no caminho do desenvolvimento, mas sim uma contrapartida do desenvolvimento alheio. (pg. 265).
Ah fantasma torpe, ignorante e cruel do colonialismo! Quando nos deixará em paz? Quando deixarão de nos sufocar com suas garras, com suas armas, com suas cruzes? Quando finalmente nossas riquezas não mais serão causa de nossa miséria; de nossa desgraça? Quando será e quanto ainda nos custará o entupimento das veias abertas da América latina?
SAULO OLIVEIRA
* Revista Veja. Edição08/02/2012, pg. 68
**GALEANO, Eduardo. As Veias Abertas Da América Latina.
A minha pergunta é a seguinte: quando é que seremos finalmente alforriados pelos EUA? Quando é que deixaremos de ser meros subprodutos europeus e norte americanos?Até quando seremos consciências colonizadas, fruto de um imperialismo impiedoso e ainda hoje perpetrado vertical e disfarçadamente pela classe conservadora burguesa, a quem interessa a imobilidade.
Por que digo tudo isto? Digo tudo isto por indignação e vergonha; indignação e vergonha das quais não consigo me despojar, impregnadas em mim após ler uma sádica matéria da reacionária revista veja publicada com o título: *em boca calada, não..., que escusa e legitima o saque dos EUA à America Latina, ao direcionar à presidenta Dilma um discurso raso, tendencioso e sem embasamento histórico, depois de sua visita a Cuba.
A revista alcunhou a Presidente mais ou menos de “esquerdista patológica” por ela ter deixado claro em sua impetuosa comunicação sem seguir pauta, que a América Latina para os latino americanos custa a entrar no pobre vocabulário dos dominadores; E que também fomos e somos incondicionalmente espoliados.
Onde estão nossas riquezas naturais? Onde está a prata de Potosí na Bolívia e o metal dourado de Ouro Preto? Esses metais exaustivamente arrancados da terra à custa de muito sangue, ainda constituem o imensurável tesouro das grandes potências.**O subdesenvolvimento latino americano não é uma etapa no caminho do desenvolvimento, mas sim uma contrapartida do desenvolvimento alheio. (pg. 265).
Ah fantasma torpe, ignorante e cruel do colonialismo! Quando nos deixará em paz? Quando deixarão de nos sufocar com suas garras, com suas armas, com suas cruzes? Quando finalmente nossas riquezas não mais serão causa de nossa miséria; de nossa desgraça? Quando será e quanto ainda nos custará o entupimento das veias abertas da América latina?
SAULO OLIVEIRA
* Revista Veja. Edição08/02/2012, pg. 68
**GALEANO, Eduardo. As Veias Abertas Da América Latina.
segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012
Dois Pontos...
FUTUROS AMANTES
Eu sei que nada é pra já!Mas a minha vontade não.
Você diz que é pra eu não me afobar;
Porém essa minha pressa em viver, em beber a vida num trago só,
Suspira e geme pelo contrário.
Nada me agrada, e são raros os momentos plenos;
São raros os momentos de encontro.
O meu tesão não me convence mais.
Quero o reencontro;
O reencontro destas duas metades errantes.
A metade dos lados do mar,
E a outra metade ainda submergida sob o asfalto e o pó.
Essas duas metades que ainda não se conhecem,
Que ainda se escondem.
Uma questão de tempo e insistência
Para que elas se alcancem,
Para que elas se intercalem;
E aplaquem a agonia da distancia.
Saulo Oliveira
quarta-feira, 1 de fevereiro de 2012
Diálogos Emendados
Reflexos e contornos ficam para trás.
E pairam no ar imóvel;
Esperando perguntas que nunca serão feitas, e respostas que jamais serão elucidadas.
Traços do cotidiano de outrora se apagam, aos poucos se vão;
Irremediavelmente numa cascata ininterrupta de memórias e lembranças substituídas.
Não facilmente substituídas, tampouco intencionalmente substituídas,
Mas a custa do trabalho e força implacáveis do tempo.
—Me pego invariavelmente paralisado de realidade, preciso transcender! — disse certa vez a alguém.
Quanto mais se sacrifica a vida, mais a vida e o tempo são seus aliados;
Assim diz uma canção, que não sei por que motivo me acompanha.
O que restou?
O que restou foi a fumaça sombria de cigarros esporádicos madrugada adentro;
Madrugadas lindas, do outro lado,
Num canto estrategicamente de costas para o progresso da cidade.
O que sobrou?
O que sobrou foi a saudade; saudade de conversas interessantes e simpáticas
De passeios gratuitos pela noite quente.
O que ficou?
O que ficou foi um velho e patético instrumento de cordas,
Pouco utilizado, mas que me acompanha há anos.
Instrumento ocioso, quando não inútil na maior parte do tempo;
Sonhos e possibilidades, se nos permitirem sonhar.
Outra canção diz: — não adianta mesmo ser livre, se tanta gente vive sem ter como comer!
— Queria ter uma bomba, um flit paralisante qualquer, pra poder me livrar do prático efeito...
Pra poder me livrar do pobre carnaval de ilusões; e deixar de ser um transgressor de limites.
Me livrar das promessas de um futuro bom.
Dos pileques homéricos pelo mundo, das frases de efeito para impressionar.
Me livrar do que fora antes o meu lume, e somete apostar...
SAULO OLIVEIRA
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